Devido à escassez de tempo que venho tendo, tanto por acúmulos de afazeres escolares, quanto por tardes inteiras desperdiçadas com um sono irreversível, minha presença aqui se tornou rara. Mas hoje, para uma consciência limpa e um sono tranquilo, apesar do horário em que supostamente eu deveria estar indo dormir, eu sinto que DEVO transpor aqui os pensamentos que estão se rebatendo na minha mente, prolongando o prazo de recolhimento, por uma boa causa, eu acho.
Bom, um fato que acompanho há um tempo e que desperta em mim uma intensa raiva e indignação é a maneira como a maioria das pessoas, principalmente do meio acadêmico, ressaltando os "universitários" (se é que são dignos desse termo), se comportam de maneira arrogante e pretensiosa. Na verdade, meu lado ainda esperançoso clama para que os verdadeiros intelectuais não se portem dessa maneira. Mas o que tenho visto infelizmente gera uma sensação, pelo menos ao meu ponto de vista, de que não há caminho saudável para este país. Não adianta praticamente nada termos um milhão de enciclopédias humanas se estes não possuem um pingo de altruísmo, empatia e ética. A impressão de que se tem de um estudante do curso de Ciências Sociais, História ou outro curso que desperta a criticidade do aluno, é de alguém engajado politicamente, participante dos movimentos contestadores, pessoas que desejam transformar a sociedade e seus paradigmas, possuindo senso crítico e não mais aquele senso-comum alimentador da passividade. Porém, a realidade que rege nas universidades, pelo menos brasileiras, em 98% dos casos é outra, salvo LOUVÁVEIS exceções. Acho que posso afirmar que os cursos de humanas, como os citados anteriormente, estão deixando de ser cursados para aprendizado e se transformando em meio de marketing pessoal, uma espécie de auto-afirmação intelectual. É claro, basta ser cabeludo, usar óculos e fazer faculdade de história, e parabéns, você é um intelectual, pelo menos é o que você espera que seja pensado sobre você, afinal, possui pose de culto, all-star surrado que implicita a idéia de "sou livre do capitalismo, digo não ao mundo consumista" e, de quebra, ainda curte um sonzinho muito doido, de preferência aquele rock progressivo que só você consegue compreender a complexidade. É claro que não estou julgando quem se veste dessa maneira ou ouve esse tipo de música. Mas me irrita profundamente aqueles que enxergam isso como um mérito a mais e te olham de maneira superior, principalmente quando vão debater sobre algum tema com você, não conseguindo disfarçar a indiferença que pode ser traduzida como “aluninha de ensino médio não tem capacidade de estabelecer um diálogo sério comigo”. O problema é que geralmente os que se comportam assim são aqueles que nos seus discursos não possuem fundamentação nenhuma.
Na verdade, o que quero passar aqui é minha incompreensão diante da hipocrisia geral. Universitáriozinho que joga pedra no governo, mas não tem a capacidade de se dirigir ao lixo para jogar um plástico fora. Afinal, aonde começa a ética? Desde que eu saiba, é no seu cotidiano. Se você não vê relevância em devolver o troco a mais que o funcionário do bar lhe entregou errado, que moral julga ter de criticar o Estado? É muito fácil apontar o dedo para o outro, é mais cômodo. É como os “revolucionários” que vão na reunião de estudantes para jogar truco e beber cerveja. Isso é um punhal no peito daqueles que morreram para que essas reuniões continuassem existindo, uma banalização total de algo que possui um significado tão pleno. Me parece que tudo é baseado na superficialidade, basta passar a impressão que se deseja e pronto, você não precisa de mais nada, o que importa é a imagem, sempre a maldita imagem. Sem falar naqueles utópicos extremamente ignorantes que apenas pegam a teoria de algum pensador elaborada há séculos atrás, que foi produto de outro contexto histórico e simplesmente a inserem no “hoje”, defendendo ela como se estivessem proclamando o apocalipse, mas não de forma transformadora e ativa e sim de maneira tão depreciativa que se torna ridícula. Um ótimo exemplo está naquele maldito “A” de anarquismo, pichado em alguns muros por aí. Digo maldito não pelo anarquismo e sim pelo fato de estar pichado em uma propriedade privada. “Nhéé, mas anarquista é contra propriedade privada!”, Sim, ignorante, anarquista é contra propriedade privada, mas essa ideologia, que você defende tanto, luta pelo exercício da plena liberdade e vai um idiota sem reflexão crítica nenhuma danificar a propriedade do outro e destruir a liberdade dele de simplesmente possuir o muro de sua casa limpo. Que respeito à liberdade é esse?
Contraditório, não?
Defenda o que quiser, você deve, tem o direito. Mas não com hipocrisia, por favor.