sexta-feira, 28 de agosto de 2009

deficiência de ADH?

Eu tenho sede.
Sede como quando, depois de uma longa e exaustiva caminhada exposta ao sol, finalmente chego na porta de casa, tiro a chave em uma pressa capaz de me faz errar o buraco da fechadura algumas boas agoniantes vezes até que o grande ato final aconteça, abrindo, então, a porta que representa o primeiro grande passo para o êxtase do alívio. Subo as escadas num ritmo desesperado, como um animal faminto diante da presa fácil, que vê o portal para sua satisfação tão próximo, mas temendo não alcançá-lo por alguma fatalidade. Finalmente, 102.
Em um minuto, ajo como quem arduamente atinge, após tanto anseio, a tão almejada liberdade, e, tomada por um alívio quase alucinante, desfruto do breve prazer de atirar o par de tênis abafado para longe, vestir alguma roupa menos repugnante e - a tão desejada, a rainha das gargantas secas - água. Abro a geladeira e despejo dissimuladamente o líquido além do limite do copo, derramando o resto sobre a mesa de mármore e, em goladas que são maiores que minha própria capacidade, deixo escorrer sobre meu rosto o resultado de tamanha pressa e desejo por satisfação. Enfim, satisfeita.
Mas não é dessa sede que falo. Falo daquela sede que somente as luzes turvas da noite saciam, aquela regada a álcool e lascívia. Aquela que me faz ansiar pelos sábados e desprezar as segundas. Aquela que se disfarça quando nossos olhares tímidos e sóbrios se cruzam, desejando menos sanidade. Aquela sede de ação, de intensidade, que se manifesta nos corpos sedentos por vida, arrepiando-os em cada entranha, seja por solos de guitarra, seja por uma voluptuosidade qualquer. Aquela delirante que se manifesta em plano quase real a cada lapso de memória.
Aquela que não quer controle. Que não quer disfarce.
Aquela sede.
Ingênua e demoníaca. Efêmera e eterna.


Minha garganta está seca e eu tenho muita sede.






Mas lembre-se: um copo não basta.

domingo, 26 de julho de 2009

What shall we use to fill the empty spaces?


"Temos muitas coisas em excesso nos dias de hoje. A única coisa que não temos o suficiente é tempo. E ter tudo em excesso significa que nada temos. A atual superabundância de imagens significa, basicamente, que somos incapazes de prestar atenção. Somos incapazes de nos emocionarmos com as imagens. Atualmente, as estórias têm de ser extraordinárias para nos comoverem. A estórias simples... não conseguimos mais vê-las."

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Escrevi isso para o tópico de uma comunidade e achei interessante postar aqui também, bom que eu atualizo isso aqui, pelo menos! Ah, o tópico se chamava "Por que odiar o capitalismo?"

As pessoas insistem em analisar as coisas sob uma perspectiva dicotômica, em que há o "certo" e o "errado", o "bom" e o "ruim", tentam colocar nas coisas uma ordem que, na verdade, nao existe. As coisas são o que são e nunca irão atingir uma perfeição tal que possam ser classificadas como "ideais". Li algumas respostas e gostei, concordo com muitas, em partes, mas a questão não é odiar ou não o capitalismo ou o socialismo, pois assim cairiamos novamente no velho maniqueísmo. Devemos pensar no ser-humano como um ser pensante que possui divergências entre seus semelhantes, um ser que possui um fim e quando tal fim se encontra em conflito com o fim de outrem, uma situação de rivalidade se estabelece, e colocando esse fato em um plano geral, se instaura o caos. Por isso se fez necessário o Estado. Mas na verdade nao é isso que quero dizer, coloquei isso apenas para introduzir uma idéia que é inerente à minha argumentação.

O sistema capitalista é, de fato, selvagem, na medida em que desapropria do trabalhador o produto de seu trabalho e os meios de produção, deixando-o apenas com sua força de trabalho, para conceder ao burguês o resultado do trabalho, além de utilizar-se de instrumentos ideológicos para a restrição do poder à burguesia e inúmeros outros pontos, como o desejo desenfreado pelo lucro, a coisificação do ser-humano, a destruição de laços afetivos entre famílias e comunidades, etc. São diversas as argumentações contra o capitalismo. Mas e o socialismo? Aí que entra minha breve observação sobre a origem do Estado. Pense no sistema capitalista como um produto do ser-humano, não como um corpo que adquire vida própria, como é visto. A ambição, a falta de empatia e a arrogância são características humanas e, caso houvesse a instauração de um sistema socialista, haveria conflitos e mais conflitos, assim como vai haver com QUALQUER OUTRO SISTEMA. O problema não está no “capitalismo” enquanto sistema, mas sim na própria ordem natural de tudo, a vida só existe devido à morte dos mais fracos pelos mais fortes, como se percebe na cadeia alimentar. Não quero defender a subestimação do operário diante de seu patrão, apenas quero mostrar que é utopia acreditar que um sistema como o comunismo colocará o fim à exploração e aos conflitos e assim os humanos viveriam em paz. Não, isso nunca irá acontecer, a propriedade privada iria desaparecer, mas outros problemas surgiriam, pois a essência está no interior humano, não em conceitos como “propriedade privada”, “exploração” e “mais-valia”. Marx afirma que a história da humanidade é a história da luta de classes, ou seja, os problemas sociais são inerentes à vida, não são exclusivos do capitalismo. Além disso, Marx percebeu que todo sistema cria seu próprio fim, pois, em um estágio avançado, as forças produtivas (que no capitalismo seriam as máquinas, o sistema fabril) entram em contradição com as relações de produção (que seria a relação entre o proprietário e o não-proprietário), pois as forças produtivas se tornam avançadas demais para as antigas relações de produção, gerando divergências e a necessidade de uma nova divisão do trabalho.

Portanto, o que quero colocar em evidência é que não há o “ideal”, as coisas simplesmente são o que são. Acho que esse debate vai muito além de conceitos filosóficos e sociológicos, ele abrange muito mais a área da psicologia, que infelizmente não domino. O fruto dos conflitos tem sua origem na mente humana, no crescente desejo de preencher o vazio da simples existência, inventando necessidades e criando motivos inexistentes para produzir mais e mais, alimentando nossa fome por possuir e dominar que vai além de nossa consciência.

Bom, é isso. Eu como sempre empolgando nos textos, se alguém teve a paciência, obrigada. hehe

Me lembrei agora, depois dessa falação toda, de um fato ocorrido nessa sexta-feira. Estávamos eu e meus amigos sentados na praça quando um hippie chegou nos oferecendo brincos (quem vê essa formalidade pra falar até pensa que eu falo assim, mas é que dá agonia de escrever como eu falo). Estava tudo bem até que um amigo dele, aparentemente bêbado, chegou balbuciando coisas. No início, nao entendi totalmente, mas depois percebi que era aquele típico discursinho de pseudo-revolucionário que acha que todo mundo que não adere à rotina maravilhosa dele de viver como mendigo é um burguês alienado safado. Mandei ele ir à merda com a "resistência" dele, depois que ele falou "Nóis é resistência, nóis dorme no papelão e ocês vive tudo à custa de pai e mãe". Que resistência é essa? Entre ele e um mendigo que nunca ouviu falar em comunismo na vida, nao vejo diferença nenhuma. O que ele faz pra transformar? Vende artesanato na praça e fala mal do capitalismo? Eu acho que esse discursinho de hippie que me olha torto já tá muito manjado, já foi o tempo em que hippie era protagonista de participação e mudança, hoje basta se comportar como "um livre do consumismo" e viver como mendigo que você é o doidão de ATITUDE. Não tenho preconceito, apenas não gostei do comportamento de UM indivíduo, não quero generalizar nada, senão vou fazer a mesma coisa que ele fez. Se isso te fizer feliz, siga, acho legal a filosofia de quem vive assim, mas também não tenha preconceito com quem prefere ter uma vida normal, trabalhar e ter filhos, no fim todo mundo vira merda mesmo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Devido à escassez de tempo que venho tendo, tanto por acúmulos de afazeres escolares, quanto por tardes inteiras desperdiçadas com um sono irreversível, minha presença aqui se tornou rara. Mas hoje, para uma consciência limpa e um sono tranquilo, apesar do horário em que supostamente eu deveria estar indo dormir, eu sinto que DEVO transpor aqui os pensamentos que estão se rebatendo na minha mente, prolongando o prazo de recolhimento, por uma boa causa, eu acho.

Bom, um fato que acompanho há um tempo e que desperta em mim uma intensa raiva e indignação é a maneira como a maioria das pessoas, principalmente do meio acadêmico, ressaltando os "universitários" (se é que são dignos desse termo), se comportam de maneira arrogante e pretensiosa. Na verdade, meu lado ainda esperançoso clama para que os verdadeiros intelectuais não se portem dessa maneira. Mas o que tenho visto infelizmente gera uma sensação, pelo menos ao meu ponto de vista, de que não há caminho saudável para este país. Não adianta praticamente nada termos um milhão de enciclopédias humanas se estes não possuem um pingo de altruísmo, empatia e ética. A impressão de que se tem de um estudante do curso de Ciências Sociais, História ou outro curso que desperta a criticidade do aluno, é de alguém engajado politicamente, participante dos movimentos contestadores, pessoas que desejam transformar a sociedade e seus paradigmas, possuindo senso crítico e não mais aquele senso-comum alimentador da passividade. Porém, a realidade que rege nas universidades, pelo menos brasileiras, em 98% dos casos é outra, salvo LOUVÁVEIS exceções. Acho que posso afirmar que os cursos de humanas, como os citados anteriormente, estão deixando de ser cursados para aprendizado e se transformando em meio de marketing pessoal, uma espécie de auto-afirmação intelectual. É claro, basta ser cabeludo, usar óculos e fazer faculdade de história, e parabéns, você é um intelectual, pelo menos é o que você espera que seja pensado sobre você, afinal, possui pose de culto, all-star surrado que implicita a idéia de "sou livre do capitalismo, digo não ao mundo consumista" e, de quebra, ainda curte um sonzinho muito doido, de preferência aquele rock progressivo que só você consegue compreender a complexidade. É claro que não estou julgando quem se veste dessa maneira ou ouve esse tipo de música. Mas me irrita profundamente aqueles que enxergam isso como um mérito a mais e te olham de maneira superior, principalmente quando vão debater sobre algum tema com você, não conseguindo disfarçar a indiferença que pode ser traduzida como “aluninha de ensino médio não tem capacidade de estabelecer um diálogo sério comigo”. O problema é que geralmente os que se comportam assim são aqueles que nos seus discursos não possuem fundamentação nenhuma.

Na verdade, o que quero passar aqui é minha incompreensão diante da hipocrisia geral. Universitáriozinho que joga pedra no governo, mas não tem a capacidade de se dirigir ao lixo para jogar um plástico fora. Afinal, aonde começa a ética? Desde que eu saiba, é no seu cotidiano. Se você não vê relevância em devolver o troco a mais que o funcionário do bar lhe entregou errado, que moral julga ter de criticar o Estado? É muito fácil apontar o dedo para o outro, é mais cômodo. É como os “revolucionários” que vão na reunião de estudantes para jogar truco e beber cerveja. Isso é um punhal no peito daqueles que morreram para que essas reuniões continuassem existindo, uma banalização total de algo que possui um significado tão pleno. Me parece que tudo é baseado na superficialidade, basta passar a impressão que se deseja e pronto, você não precisa de mais nada, o que importa é a imagem, sempre a maldita imagem. Sem falar naqueles utópicos extremamente ignorantes que apenas pegam a teoria de algum pensador elaborada há séculos atrás, que foi produto de outro contexto histórico e simplesmente a inserem no “hoje”, defendendo ela como se estivessem proclamando o apocalipse, mas não de forma transformadora e ativa e sim de maneira tão depreciativa que se torna ridícula. Um ótimo exemplo está naquele maldito “A” de anarquismo, pichado em alguns muros por aí. Digo maldito não pelo anarquismo e sim pelo fato de estar pichado em uma propriedade privada. “Nhéé, mas anarquista é contra propriedade privada!”, Sim, ignorante, anarquista é contra propriedade privada, mas essa ideologia, que você defende tanto, luta pelo exercício da plena liberdade e vai um idiota sem reflexão crítica nenhuma danificar a propriedade do outro e destruir a liberdade dele de simplesmente possuir o muro de sua casa limpo. Que respeito à liberdade é esse?

Contraditório, não?

Defenda o que quiser, você deve, tem o direito. Mas não com hipocrisia, por favor.

terça-feira, 14 de abril de 2009


Dias atordoados, como se houvesse uma tempestade de poeira na mente, me impedindo de pensar. Tantos afazeres acumulados, quanto tempo perdido. Motivo? Nenhum. E mais tempo perdido aqui, somente para dizer que há tempo perdido. Almejo o mundo, mas não há esforço algum. Sou apenas um esboço incompleto, uma contínua insatisfação desejando mudanças que não se concretizam simplesmente por meu próprio erro. Olhos vidrados em páginas vazias, criando a ilusão de que um dia enxergarei alguma palavra que me traga satisfação, mesmo sabendo que não se passam de páginas...vazias - enquanto há livros e livros (literalmente, também) capazes de me preencher. As páginas vazias podem me afundar. A frustração será minha.

21:58... 22:00... 22:02... 22:07.... 22:16... 22:17


Ele corre e eu aqui, estática. Até quando?


22:18.


sábado, 11 de abril de 2009

futuros astros mestres em representar.

Em busca de algo que pudesse suavizar os sentimentos de angústia,raiva, decepção e todo o complexo grupo de sensações que envolvem o ser-humano, criei este blog e postarei aqui sempre que houver algo que me inquieta de certa forma. Sei que é ingênuo de minha parte atribuir a algumas palavras escritas por mim em um site na internet uma função de cura, pois tais palavras nada mudariam na minha realidade, infelizmente. São apenas um reflexo do meu estado ou uma tentativa de expor algo que não é totalmente exprimível - pensamentos abstratos soltos em meu inconsciente. Além disso, arrancam um pouco da angústia dentro de mim e a transportam para uma página da web, fazendo algumas pessoas, ao lerem, se sensibilizarem e outras, nem ao menos entenderem. Bom, entendendo ou não, estão aqui algumas reflexões, finalmente estou utilizando a internet para algo menos inútil. Caso tenha lido isto, obrigada.

Bom, o parágrafo anterior foi apenas uma apresentação. E como eu disse, este espaço será utilizado para descarregar minhas angústias. A desgraça do dia não é nada diferente do que eu previa e do que vem acontecendo há algum tempo. Acho que a diferença é que hoje foi a gota d'água. Falarei aqui muito subjetivamente, de forma generalizada, porém, pensando em um fato específico.

Chega a ser irônico a maneira que as pessoas (especialmente, as ESPERTAS) persuadem sua mente para nada. Digo, conseguem envolver você ao máximo, sugando suas motivações, seus interesses e a harmonia de sua vida para simplesmente passar o tempo com você, em prol do interesse individual egoísta, que vai de satisfazer os desejos carnais, até algum benefício que a pessoa teria caso fosse mantido um laço com você. Ainda utilizam o jogo sujo de ganhar você com belas palavras e tratamento dócil, estabelecendo uma impressão de intimidade e reciprocidade. Me intriga a necessidade que esse tipo de gente tem de enganar você de tal forma que te faz enxergar uma bela imagem que esconde a podridão que os compõe. Sinceramente, não sei daonde criam tamanha coragem e satisfação em iludir as pessoas desta maneira, desconsiderando qualquer sentimento. Acredito que tal ato sádico seja uma artimanha usada por aqueles desprovidos de algo que os satisfaça verdadeiramente e preencha o vazio que acomete suas vidas mediocres, sendo condenados ao preenchimento de seus egos através de estratégias baixas, como iludir uma pessoa e saber que possui ela nas suas mãos, para o simples resultado de "Eu consegui, não sou um completo perdedor". Parabéns, idiota, tirou sua máscara para mais um, é triste ver que você não era tão belo como eu imaginava, o que se escondia por trás dessa máscara de flores é um aglomerado de MERDA e espinhos, nos quais eu me cortei, e muito. Bom, ainda restam belas lembranças que não passam de meras representações da minha mente, mas progressivamente, vou tentar apagá-las. Como diria Nietzsche, já plagiando o homi chato, vulgo Pedro, o homem tem a maldição da memória. Apesar de estar me sentindo um lixo, estou agora, relativamente, racional e inatingível, mais um acontecimento para meu arsenal de aprendizados. Enfim, caso tenha conseguido chegar até aqui, parabéns, você brilhou!
Ah, apenas relembrando... sugiro que algumas pessoas preparem um currículo para a Rede Globo de Produção, pois são mestres em representação. Testar seu talento comigo não os leva a nada, apenas a posts idiotas em um blog.